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e Kevin Kelly, pelos seus conselhos e apoio durante os primeiros dez anos das conversas do site Edge. 2008, Edições tinta‑da‑china, Lda.
Tels.: 21 726 90 28/9 | Fax: 21 726 90 30 Edge Foundation, Inc., 2005. Todos os direitos reservados.
Título original: What Is Your Dangerous Idea? John Brockman 17 Prefácio: A Pergunta do Site Edge Paul Bloom 40 A rejeição da alma Irene Pepperberg 47 As diferenças entre humanos e Steven Pinker 50 Os grupos humanos podem diferir J. Craig Venter 53 A base genética do comportamento Jerry Coyne 56 Marionetas em cordas genéticas V.S. Ramachandran 60 A ideia perigosa de Francis Crick Rodney Brooks 65 Estar sozinho no universo Scott D. Sampson 67 A vida enquanto agente de Keith Devlin 71 Estamos completamente sozinhos Martin Rees 73 A ciência pode estar a fugir ao nosso Frank J. Tipler 76 Porque desejo que o modelo padrão esteja errado relativamente à razão pela qual há mais matéria do que antimatéria Jeremy Bernstein 78 A ideia de que compreendemos o W. Daniel Hillis 79 A ideia de que todos deveríamos Karl Sabbagh 147 O cérebro humano nunca compreenderá Lawrence M. Krauss 150 O mundo pode ser fundamentalmente Daniel Gilbert 80 A ideia de que as ideias podem ser Leonard Susskind 152 A «paisagem» Paul C.W. Davies 81 O combate ao aquecimento global Lee Smolin 156 Ver Darwin à luz de Einstein: Gregory Benford 84 Pensar fora da caixa de Quioto Oliver Morton 89 O nosso planeta não está em perigo Carlo Rovelli 164 O que a física do século xx diz acerca April Gornik 94 O efeito da arte não pode ser Paul Steinhardt 166 É uma questão de tempo Denis Dutton 95 Uma «grande narrativa» Piet Hut 170 Uma reavaliação radical do carácter Marc Hauser 99 A imunidade da nossa gramática moral Marcelo Gleiser 172 Não faz mal não saber tudo Nicholas Humphrey 103 A ideia perigosa de Bertrand Russell Steven Strogatz 174 O fim da intuição David Pizarro 104 A incongruente miscelânea da Terrence Sejnowski 176 Quando se tornará a Internet Robert Shapiro 106 Iremos compreender a origem da vida Neil Gershenfeld 181 Democratizar o acesso aos meios George Dyson 110 Compreender a biologia molecular Rudy Rucker 183 A mente é uma qualidade Marco Iacoboni 111 O problema dos super‑espelhos Thomas Metzinger 187 A intuição do fruto proibido Daniel Goleman 114 Ciberdesinibição Philip W. Anderson 190 A probabilidade a posteriori de um deus Alun Anderson 118 Os cérebros não podem tornar‑se Sam Harris 192 A ciência tem de destruir a religião David Gelernter 122 Na era da informação, as pessoas estão John Allen Paulos 196 O «eu» é uma quimera conceptual Carolyn C. Porco 197 A maior história jamais contada Kevin Kelly 124 Mais anonimato é bom Jordan Pollack 200 A ciência como apenas uma outra Paul W. Ewald 126 Uma nova era dourada da medicina Samuel Barondes 134 Usar medicação para alterar Robert R. Provine 204 Isto é tudo o que existe Stephen M. Kosslyn 207 Uma ciência do divino? Helen Fisher 136 Os medicamentos podem alterar Jesse Bering 213 A ciência nunca silenciará deus Scott Atran 215 A religião é a esperança que falta David G. Myers 140 Uma opção de casamento para todos Diane F. Halpern 142 Escolher o sexo dos nossos filhos Todd E. Feinberg 219 Os mitos e os contos de fadas não David Lykken 221 Licença parental Roger C. Schank 289 Acabaram os olhares zangados Judith Rico Harris 223 Influência parental zero John Gottman 227 O enfoque na inteligência emocional Clifford Pickover 293 Somos todos virtuais Alison Gopnik 228 Uma cacofonia de «controvérsia» Geoffrey Miller 295 O consumismo desenfreado explica o Stewart Brand 231 História aplicada Jared Diamond 233 É frequente os povos tribais danificarem Sherry Turkle 300 Simulação versus autenticidade Dan Sperber 304 A cultura é natural Timothy Taylor 308 O cérebro humano é um artefacto Susan Blackmore 235 Nada faz sentido Daniel C. Dennett 237 Não há mentes suficientes para albergar Eric R. Kandel 313 O livre‑arbítrio é exercido Randolph M. Nesse 242 Ideias indizíveis Clay Shirky 316 O livre‑arbítrio está a ir‑se embora Kai Krause 246 Antigravidade: a teoria do caos num Mahzarin R. Banaji 321 Os limites da introspecção Barry C. Smith 325 Aquilo que sabemos pode não Rupert Sheldrake 252 Navegar por novos princípios científicos Simon Baron‑Cohen 255 Um sistema político baseado Richard E. Nisbett 328 Dizer mais do que podemos saber Andy Clark 333 Os zombies de raciocínio rápido que Tor Nørretranders 259 Relatividade social Gregory Cochran 261 Há algo de novo sob o sol — nós Philip G. Zimbardo 335 A banalidade do mal, a banalidade Donald D. Hoffman 264 Uma colher é como uma dor de cabeça Gerald Holton 267 A projecção da curva da longevidade Douglas Rushkoff 337 Moeda open source Ray Kurzweil 268 A inevitabilidade, a curto prazo, David Bodanis 340 Será que o ocidente se encontra já numa da extensão e expansão radical da vida Freeman J. Dyson 272 A domesticação da biotecnologia Juan Enriquez 343 A tecnologia pode desunir Philip Campbell 274 O empenho estatal na ciência Haim Harari 348 A democracia pode estar a caminho Joel Garreau 275 E se Faulkner tivesse razão? Eric Fischl 279 E se o desconhecido se tornar conhecido James O’Donnell 351 Marx tinha razão: Howard Gardner 353 Seguindo Sísifo Michael Shermer 281 Onde os bens cruzam as fronteiras, Ernst Pöppel 355 Como posso ter confiança, perante tantos factores incognoscíveis? Matt Ridley 283 O governo é o problema, não a solução Leo M. Chalupa 357 Um período de 24 horas de solidão absoluta Mihaly Csikszentmihalyi 286 O mercado livre Arnold Trehub 288 A ciência moderna é um produto Em 1991, propus a ideia de uma terceira cultura, que «consiste nos cientistas e outros pensadores do mundo empírico que, através do seu trabalho e dos seus ensaios, estão a tomar o lugar do intelectual tradicional na tarefa de tornar visível o significado mais profundo da vida, redefinindo quem somos e aquilo que somos». Em 1997, o crescimento da Internet permitiu a implementação de uma casa para a terceira cultura na Web, num site chamado Edge (www.edge.org).
O site Edge é uma celebração das ideias da terceira cultura, uma exposição desta nova comunidade de intelectuais em acção. Eles apresentam o seu trabalho e as suas ideias, e comentam o tra‑balho e as ideias dos pensadores da terceira cultura. Fazem‑no par‑tindo do princípio de que vão ser interpelados. O que daí emerge é um debate rigoroso, que aborda questões cruciais da era digital, numa atmosfera bastante cativante, onde «pensar com esperteza» prevalece sobre a anestesia da sabedoria.
As ideias apresentadas no site Edge são especulativas, repre‑ sentando as fronteiras nas áreas da biologia evolutiva, genética, ciência de computadores, neurofisiologia, psicologia e física. g r a n d e s i d e i a s p e r i g o s a s Algumas das questões fundamentais que aí se colocam são: de perigosas: as revoluções concretizadas por Copérnico ou por onde surgiu o universo? De onde surgiu a vida? De onde surgiu Darwin são as mais óbvias. Qual é a sua ideia perigosa? Uma a mente? Da terceira cultura estão, assim, a emergir uma nova fi‑ ideia em que tem meditado (não necessariamente uma ideia losofia natural, novas formas de compreender os sistemas físicos sua, original) e que acha que é perigosa, não porque se presume e novas maneiras de pensar que questionam muitos dos nossos que é falsa, mas porque pode ser verdadeira? pressupostos básicos sobre quem somos, sobre o que significa ser‑‑se humano.
A pergunta Edge de 2005 («O que é que acredita ser verdade, mesmo Um acontecimento anual do site Edge é The World Question Cen‑ sem poder prová­‑lo?») foi uma das que mais contribuiu para desper‑ ter («O Centro para a Pergunta Mundial»), introduzido, em 1971, tar consciências (a estação de rádio BBC4 caracterizou‑a como como um projecto de arte conceptual, pelo meu amigo e colabo‑ «incrivelmente estimulante [.] a cocaína do mundo pensante»). rador, o falecido artista James Lee Byars. O plano de Byars consis‑ Esperamos que esta edição das respostas à pergunta Edge de 2006 tia em reunir as cem mentes mais brilhantes do mundo, trancá‑las numa sala e conseguir que «colocassem umas às outras as questões que colocavam a si próprias». O resultado deveria constituir uma síntese de todo o pensamento. Mas entre uma ideia e a sua execu‑ ção existem muitos escolhos. Byars identificou as suas cem mentes mais brilhantes, telefonou a cada uma delas e perguntou‑lhes quais eram as questões que andavam a colocar‑se a si próprias. O resulta‑do: 70 pessoas desligaram‑lhe o telefone na cara.
Porém, por volta de 1997, a Internet e o e‑mail abriram espa‑ ço para uma séria implementação do grande objectivo de Byars, o que deu origem ao lançamento do site Edge. Em cada uma das edições de aniversário do site Edge, eu mesmo fiz uso da interroga‑tiva e pedi aos colaboradores as suas respostas a uma questão que me tinha ocorrido, ou a um dos meus correspondentes, a meio da noite. A pergunta Edge do ano de 2006 foi sugerida pelo psicólo‑go Stephen Pinker.
A história da ciência está cheia de descobertas que, na sua época, foram consideradas social, moral ou emocionalmente Terão as mulheres, em geral, um perfil de aptidões e emo‑ ções diferente do dos homens? Será que os acontecimentos descritos na Bíblia foram fictícios — não só os milagres, mas tam‑bém os que envolvem reis e impérios? Terá o estado do meio am‑biente melhorado nos últimos 50 anos? Será que, na sua maioria, as vítimas de abuso sexual não sofrem danos que duram para o resto das suas vidas? Será verdade que os americanos nativos pra‑ticavam o genocídio e devastavam a paisagem? Os homens terão de facto uma tendência inata para a violação? Será que a taxa de criminalidade diminuiu, na década de 1990, porque 20 anos antes as mulheres pobres abortavam crianças que teriam evidenciado propensão para a violência? Serão os terroristas suicidas pessoas bem‑educadas, mentalmente saudáveis e movidos por razões mo‑rais? Serão os judeus asquenazes, em média, mais inteligentes do que os gentios porque os seus antepassados foram objecto de uma selecção com fins reprodutivos que visava a astúcia, necessária na agiotagem? Será que a incidência das violações diminuiria se a prostituição fosse legalizada? Terão os afro‑americanos, em média, níveis de testosterona mais elevados do que os dos brancos? Será g r a n d e s i d e i a s p e r i g o s a s a moralidade apenas um produto da evolução do nosso cérebro, maciça, ou as ideologias do mal, como as de racistas, fascistas ou sem qualquer realidade inerente? Ficaria a sociedade mais bem outras seitas fanáticas. Refiro‑me a afirmações de facto, ou políti‑ servida se a heroína e a cocaína fossem legalizadas? Será a homos‑ cas, que são defendidas com provas e argumentos por cientistas e sexualidade o sintoma de uma doença infecciosa? Seria consisten‑ pensadores sérios, mas que se acredita colocarem em causa a de‑ te com os nossos princípios morais dar aos pais a possibilidade de cência colectiva de uma época. São exemplos as ideias referidas no praticarem a eutanásia em recém‑nascidos com deficiências con‑ primeiro parágrafo e o pânico moral que cada uma delas provocou génitas que os condenam a uma vida de dor e de invalidez? Os pais durante o último quarto de século. Escritores que avançaram com exercem algum efeito no carácter ou na inteligência dos filhos? ideias deste género foram vilipendiados, censurados, despedidos, As religiões mataram mais pessoas do que o nazismo? Reduzir‑se‑ ameaçados e, nalguns casos, agredidos fisicamente. ‑iam os danos do terrorismo se a polícia pudesse torturar suspei‑ Todas as épocas têm as suas ideias perigosas. Durante milé‑ tos em circunstâncias especiais? Teria África melhores hipóteses nios, as religiões monoteístas perseguiram inúmeras heresias, de sair da pobreza se acolhesse mais indústrias poluentes ou se além de incómodos gerados pela ciência, como o geocentrismo, aceitasse ficar com o lixo nuclear da Europa? Estará a inteligên‑ a arqueologia bíblica e a teoria da evolução. Podemos dar‑nos por cia média das nações ocidentais a baixar porque as pessoas menos felizes devido ao facto de os castigos terem passado da tortura e inteligentes estão a ter mais filhos do que as mais inteligentes? Se‑ da mutilação para o cancelamento de subsídios e a publicação de ria melhor para as crianças indesejadas se existisse um mercado críticas vituperativas. Mas a intimidação intelectual, seja feita pela de direitos de adopção, sendo os bebés atribuídos às ofertas mais espada ou pela caneta, molda, inevitavelmente, as ideias que são elevadas? Salvar‑se‑iam mais vidas se instituíssemos um mercado levadas a sério numa determinada época, e o espelho retrovisor da livre de órgãos para transplantes? Deveriam as pessoas ter o di‑ história fornece‑nos um aviso. Uma vez após outra, as pessoas atri‑ reito de se clonar a si mesmas, ou de melhorar as características buíram a afirmações factuais implicações éticas que hoje nos pare‑ cem ridículas. O medo de que a estrutura do nosso sistema solar Talvez o leitor sinta o sangue a fervilhar quando lê estas ques‑ tivesse graves consequências morais é um exemplo venerável, tal tões. Talvez fique indignado com o facto de haver pessoas que pen‑ como impingir o «Desígnio Inteligente» aos estudantes de biologia sam, sequer, nestas coisas. Talvez fique com pior ideia de mim por é um exemplo contemporâneo. Estes casos caricaturais deveriam eu estar a trazê‑las à discussão. Estas ideias são perigosas — ideias levar‑nos a perguntar se a corrente dominante do pensamento in‑ abordadas não por serem evidentemente falsas, não porque advo‑ telectual contemporâneo poderá estar afectada por ilusões morais gam acções prejudiciais, mas porque se julga que poderão minar a semelhantes. Vamos deixar‑nos enfurecer pelos nossos próprios infiéis e hereges, a quem um dia a história dará razão? Por «ideias perigosas» não tenho em mente as tecnologias Sugeri a John Brockman que dedicasse a pergunta anual perigosas, como as que estão por detrás das armas de destruição do site Edge às ideias perigosas porque acredito que iremos ser g r a n d e s i d e i a s p e r i g o s a s impopulares é uma velha história. Livros como The New Know‑‑Nothings, de Morton Hunt, e The Shadow University, de Alan Kors e Harvey Silverglate, mostraram, de forma assaz deprimente, que não podemos contar com as universidades para defenderem os di‑reitos dos seus próprios hereges, e que com frequência são o siste‑ma judicial ou a imprensa que têm de arrastá‑los na direcção das políticas de tolerância. No governo, a intolerância é ainda mais as‑ A história da ciência está­ cheia de descobertas que, na sua sustadora, porque as ideias que aí são consideradas não são apenas época, foram consideradas social, moral ou emocionalmente objecto de desporto intelectual, mas têm consequências imedia‑ perigosas: as revoluções geradas por Copérnico ou Darwin são tas e generalizadas. Chris Mooney, na obra The Republican War on as mais óbvias. Qual é a sua ideia perigosa? Uma ideia em que Science, junta‑se a Hunt na denúncia do modo como legisladores tem meditado (não necessariamente uma ideia sua, original) e corruptos e demagógicos sufocam cada vez mais os resultados de que acha que é perigosa, não porque se presume que é falsa, mas pesquisas que consideram contrários aos seus interesses. Os ensaios desta obra oferecem uma surpreendente varieda‑ de de reflexões estimulantes. Algumas são francamente especu‑lativas, outras contêm ideias sobre um perigo que ainda não foi reconhecido, e muitas são versões da ideia perigosa original, avan‑çada por Copérnico — a de que não somos o centro do universo, seja literal ou metaforicamente. Quer o leitor concorde ou discor‑de, fique chocado ou indiferente, espero que estes ensaios o levem a ponderar o que torna as ideias perigosas e o que devíamos fazer com elas. John Horgan é director do Centro para os Escritos Científicos do Instituto de Tecnologia Stevens e, mais recentemente, autor de Rational Mysti‑cism: Spirituality Meets Science in the Search for Enlightenment. A pergunta do site Edge deste ano faz‑me pensar no seguin‑ te: que ideias apresentam maior perigo potencial? As falsas ou as verdadeiras? A ilusão ou a falta de ilusão? Enquanto crente e amante da ciência, espero bem que a verdade nos liberte, de facto, e nos salve, mas por vezes não tenho tanta certeza.
A ideia perigosa (provavelmente verdadeira) sobre a qual gostaria de discorrer é a de que nós, humanos, não temos almas. A alma é esse núcleo dentro de nós que supostamente transcende a nossa parte física, e até persiste para além dela, concedendo‑nos autonomia, privacidade e dignidade fundamentais. No seu livro de 1994, A Hipótese Espantosa: a Busca Científica da Alma, o grande Francis Crick, já falecido, defendia que a alma é uma ilusão perpe‑tuada, como a fada Sininho da história de Peter Pan, apenas por acreditarmos nela. Crick abre o seu livro com o seguinte manifes‑to: «“Tu”, as tuas alegrias e as tuas tristezas, as tuas memórias e as tuas ambições, o teu sentido de identidade pessoal e livre‑arbítrio não são, na verdade, mais do que o comportamento de um vasto conjunto de células nervosas e das moléculas que lhes estão asso‑ciadas.» Notem‑se as aspas em «Tu». O subtítulo do livro de Crick g r a n d e s i d e i a s p e r i g o s a s A minha ideia perigosa é que aquilo que faz falta para se al‑ cançar um desempenho cerebral óptimo — com ou sem exercí‑ cio cerebral — é um período de 24 horas de solidão absoluta. Por solidão absoluta quero dizer sem interacções verbais de qualquer tipo — escritas ou faladas, ao vivo ou gravadas — com outro ser humano. Arrisco‑me a dizer que entre as pessoas que lêem estas palavras, as que já experimentaram pára‑quedismo em queda livre são em número significativamente maior do que as que já passa‑ram por um dia de solidão absoluta. O que fazer para preencher as horas de vigília de um dia as‑ sim? Essa é uma pergunta a que cada pessoa teria de responder por si própria. A menos que a pessoa tenha passado algum tempo num mosteiro ou numa cela solitária, na prisão, é improvável que tenha As ideias perigosas são aquilo que tem feito avançar a hu‑ manidade, usualmente para consternação da maioria, que tido de lidar com esta questão. A única actividade não interdita é prospera na familiaridade e receia as mudanças, seja em que era pensar. Imaginem se toda a gente neste país tivesse a oportunida‑ for. A ideia perigosa de ontem é a ortodoxia de hoje e o clichê de de de não fazer nada senão dedicar‑se a pensar, ininterruptamen‑ amanhã. Decerto que já alguém deve ter dito isto. Senão, terei eu de dizê‑lo, embora apenas para logo recuar apressadamente. Um dia nacional de solidão absoluta contribuiria mais para Generalizações sedutoras deste género escondem uma perigo‑ melhorar o cérebro dos americanos do que qualquer outro pro‑ sa assimetria. Embora seja verdadeiro que, mais tarde, podemos grama de 24 horas (deixo para os juristas a tarefa de pensar sobre reconhecer normas aceites que outrora foram ideias perigosas, é a forma de implementar esta proposta). O perigo inerente a esta também verdade que a maioria das ideias perigosas do passado ideia é que um dia de pensamento ininterrupto pode causar con‑ não merecia aceitação futura, nem a recebeu. Não basta que uma vulsões irreparáveis em muitas das coisas que a nossa sociedade ideia seja perigosa. Também tem de ser boa. considera sagradas. Se isto melhoraria o estado dos nossos assun‑ Os cientistas declaram frequentemente que uma ideia tem tos actuais é algo que não pode ser garantido.
de aguentar‑se pelo seu próprio mérito, não pela autoridade de quem a inventou. Não há nenhum führer, papa ou profeta cien‑tífico de quem sejamos tentados a dizer «X é ideia dele, portanto X deve estar certa». Mas os cientistas são apenas humanos, e é inevitável repararmos num currículo de peso. Se um cientista‑‑estrela, cujas ideias funcionaram no passado, aparece com uma g r a n d e s i d e i a s p e r i g o s a s ideia nova, arrebitamos as orelhas. Em especial se a nova ideia é Este livro apresenta‑nos 108 intelectuais de topo, do salão on‑ ‑line do site Edge, reputados pelas suas boas ideias (ou, num ou dois No que respeita aos cientistas, John Brockman tem o livro de casos, notoriamente más ideias). Quais são, então, as suas ideias endereços mais invejável da América. A sua Pergunta do Site Edge perigosas — e será que valem alguma coisa? Reparei que podia ana‑ anual produz um livro cujo índice, só por si, vale bem a pena ler. lisar as respostas como se fosse uma espécie de sondagem. Quan‑ Eis um conjunto de autores com algo para dizer, e com notáveis tos optam por destino funesto e maus presságios — aquecimento credenciais para dizê‑lo, todos colocados perante a mesma per‑ global, atentados terroristas a centrais nucleares e semelhantes je‑ gunta, aparentemente simples — neste caso, «Qual é a sua ideia remiadas apocalípticas? Pela minha contagem, 11, embora alguns perigosa?». Que respostas irá desencantar o círculo Edge? Que sig‑ sejam anti‑Jeremias, cuja ideia perigosa é que se exagera o perigo. nificados surpreendentes, aliás, serão descobertos para a questão? Contei 24 cujas ideias perigosas dizem respeito à sociedade, 20 Ideias perigosas para quem? Ou para quê? As 108 pessoas que con‑ cujas ideias perigosas têm que ver com a psicologia e 14 com a tribuíram para este livro percorrem todo o espectro. Há perigo política ou a economia. Outros 11 colaboradores escolhem temas para o mundo e para o futuro da humanidade e da vida. Há perigo que, de uma ou de outra maneira, dizem respeito à religião, em para interesses adquiridos cujo amor próprio pode estar ameaça‑ sentido lato. Há seis que exploram o angst cósmico que parece de‑ do. Há perigo para a própria paz de espírito pessoal de cada um, ou correr, por exemplo, da crença de que estamos sós no universo, ou para o seu sentido de valor cósmico. Há perigo na interpretação da crença de que não há ninguém em casa dentro dos nossos crâ‑ das ideias que são intelectualmente arrojadas ou atrevidas — que nios, nada que pudesse honestamente corresponder a «uma alma». passam das marcas, como se costuma dizer —, o que não impli‑ Contei seis autores que abordam a pergunta do site Edge de forma ca, necessariamente, perigo sob alguma outra forma. Felizmente, auto‑referencial, discutindo como ideia perigosa a própria ideia na América moderna não é preciso referir ideias que ameacem a de se solicitar ideias perigosas — ou, num caso, a própria ideia de vida do pensador, porque a sociedade dominante considera ina‑ que as ideias podem ser consideradas perigosas. ceitável tal situação. Galileu foi impedido, sob a ameaça de so‑ Estas categorias não se excluem mutuamente. Reconheci, po‑ frer um castigo físico, de publicar a sua ideia perigosa. Darwin, rém, um par de categorias exclusivas e obriguei‑me a inserir cada na sua época, teve mais sorte, embora possa argumentar‑se que texto numa ou noutra. Parece‑me que existe uma distinção não so‑ ele censurou a sua ideia perigosa durante duas décadas, por receio breponível e exaustiva entre as ideias que são falsas ou verdadeiras de perturbar a sua esposa e a sociedade de que ela fazia parte. Mais sobre o mundo real (matéria de facto, no amplo sentido) e ideias próximo do nosso tempo, na Rússia de Lysenko, ideias que, hoje acerca do que deveríamos fazer — ideias normativas ou morais, em dia, os geneticistas consideram lugares‑comuns — ou melhor, para as quais as palavras «verdadeiro» e «falso» não têm significa‑ simplesmente verdadeiras — não podiam ser proferidas sem se do. Talvez não seja surpreendente que um grupo composto sobre‑ correr o risco de humilhação pública e prisão. tudo por cientistas favoreça as ideias «é» (factuais, verdadeiras‑ou‑ g r a n d e s i d e i a s p e r i g o s a s ‑falsas) por contraste com as ideias «devia ser» (normativas, polí‑ criá‑los. Posso imaginar algumas respostas, e são boas; provavel‑ ticas), mas não por grande margem. Conto 68 ideias factuais e 40 mente acabariam por persuadir‑me. Mas não terá chegado a altura de deixar de ter medo de colocar, sequer, a questão? Haverá ideias perigosas que estejam claramente sub‑repre‑ A minha outra omissão‑surpresa desta lista de ideias perigo‑ sentadas neste livro? Tenho duas sugestões, e ambas podem ser sas diz respeito ao pressuposto tácito de que a moralidade humana encaixadas na categoria «é» ou na «devia ser». Em primeiro lugar, é única. É mais difícil do que pensa a maioria das pessoas justificar notei apenas referências superficiais e depreciativas à eugenia. o estatuto ímpar e exclusivo que o Homo sapiens detém nas nossas Nas décadas de 1920 e 1930, os cientistas, tanto da esquerda como assunções inconscientes. Por que motivo «pró‑vida» significa sem‑ da direita políticas, não achariam a ideia de bebés «desenhados» pre «pró‑vida humana?» Por que razão tantas pessoas se indignam particularmente perigosa — embora, é claro, não tivessem usado perante a ideia de matar um conceito humano de oito células en‑ essa expressão. Hoje em dia, desconfio que a ideia é demasiado quanto mastigam gulosamente um bife que custou a vida de uma perigosa para ser objecto de uma discussão tranquila, mesmo sob vaca adulta, senciente e, possivelmente, aterrorizada? Qual é, ao o grau de permissividade concedido por um livro como este, e a certo, a diferença moral entre a atitude dos nossos antepassados minha conjectura é que o responsável pela mudança é Adolf Hi‑ para com os escravos e a nossa atitude para com os animais não tler. Ninguém quer ser apanhado a concordar com esse monstro, humanos? Há, provavelmente, boas respostas para estas questões. nem que seja num único aspecto. O espectro de Hitler levou al‑ Mas não deveríamos, pelo menos, colocar as questões? guns cientistas a desviarem‑se do «devia ser» para o «é» e a negar Uma maneira de dramatizar a não‑trivialidade de tais ques‑ que seja sequer possível criar seres humanos para obter determi‑ tões é invocar o facto da evolução. Encontramo‑nos ligados a to‑ nadas qualidades. Mas se podemos criar gado para dar mais leite, das as outras espécies, contínua e gradualmente, por via dos an‑ cavalos para correrem mais depressa e cães pelas suas qualidades tepassados que partilhamos com elas. Se não fosse pelo acidente a tomar conta de rebanhos, por que razão haveria de ser impos‑ histórico da extinção, estaríamos ligados aos chimpanzés através sível criar seres humanos pelas suas capacidades na matemática, de uma linha contínua de elos intermédios a procriarem alegre‑ na música ou no desporto? Objecções do género «não se trata de mente uns com os outros. Qual seria — qual deveria ser — a res‑ capacidades unidimensionais» também se aplicariam às vacas, aos posta moral e política da nossa sociedade se fossem agora desco‑ cavalos e aos cães, e isso nunca fez, na prática, diferença alguma. bertas, em África, relíquias populacionais de todos os elos inter‑ Pergunto‑me se, volvidos 60 anos da morte de Hitler, pode‑ médios evolucionários? Qual deveria ser a nossa resposta moral e ríamos ao menos aventurar‑nos a perguntar qual é a diferença mo‑ política aos cientistas do futuro que usassem os genomas humano ral entre criar seres humanos com melhores capacidades musicais e do chimpanzé, completos, para criar uma cadeia ininterrupta e obrigar uma criança a ter lições de música. Ou o porquê de ser de elos intermédios vivos, a respirar e a acasalar, cada um capaz aceitável treinar corredores de velocidade e saltadores, mas não de procriar com os seus vizinhos imediatos na cadeia, unindo g r a n d e s i d e i a s p e r i g o s a s assim humanos e chimpanzés numa sequência viva de cruzamen‑tos férteis? Posso pensar em formidáveis objecções a estas brechas ex‑ perimentais abertas no muro de separação que rodeia o Homo sapiens. Mas, ao mesmo tempo, posso imaginar benefícios para as nossas atitudes morais e políticas susceptíveis de pesarem mais do que as objecções. Sabemos que uma cadeia viva como a descrita acima é, em princípio, possível, porque todos os elos intermédios viveram — na cadeia que, em direcção ao passado, vai de nós até ao nosso antepassado comum com os chimpanzés, e depois na ca‑deia que, em direcção ao presente, vai desse antepassado comum até aos chimpanzés. É, portanto, uma ideia perigosa, mas não demasiado surpreendente, a de que um dia a cadeia será recons‑ truída — uma hipótese para a caixa «factual» das ideias perigosas. E — seguindo para a caixa das ideias «devia ser» — não seria viá‑vel elaborar um forte argumento moral a defender que essa cadeia deveria ser reconstruída? Sejam quais forem as indubitáveis des‑vantagens morais de um tal projecto, teria pelo menos o mérito de, finalmente, sacudir a humanidade para fora da posição mental absolutista e essencialista que há tanto tempo nos aflige.
aquecimento global: 29, 81 ‑3, 200 ‑1, g r a n d e s i d e i a s p e r i g o s a s deus: 24, 71, 76, 109, 190 ‑1, 194, 201 ‑2, 207 ‑10, 213 ‑4, 217, 234, 282, 290, 344, Farley, Frank: 225 religião e: 66, 70, 192 ‑5, 197 ‑202, física de partículas, modelo‑padrão Copérnico, Nicolau: 19, 34 ‑5, 61, 147, «eu»: 60‑4, 189, 196 ‑8, 219 ‑20, Crick, Francis: 37, 60 ‑1, 106, 178, 283 Edge, site: 17 ‑9, 23, 37, 237, 360 ‑1 Einstein, Albert: 118, 148, 156 ‑8, 160, 156 ‑60, 164, 170, 218, 237, 253, 282, g r a n d e s i d e i a s p e r i g o s a s mercado livre: 22, 128, 281 ‑2, 286 ‑7 ideias perigosas: 22 ‑3, 25 ‑8, 30, 34, 169, livre‑arbítrio: 37, 40 ‑1, 187, 189, 194, multiverso: 153 ‑4, 161 ‑3, 165, 167, 169 Internet: 17 ‑8, 24, 33, 114 ‑7, 122 ‑3, mal: 23, 43 ‑6, 73, 99 ‑100, 104, 247, nada: 30, 61 ‑3, 86, 98, 104, 121, 148, 160 ‑3, 169, 172 ‑3, 186, 193, 204, 212, intuição, fim da: 101, 174 ‑5, 187, 189 214, 223 ‑5, 228, 234 ‑5, 238, 247, 249, natureza humana: 26, 29, 46, 55, 58, 73, mecânica quântica: 63, 164 ‑5, 170 ‑3, natureza humana, alterações na: 261 ‑2 história: 18, 23 ‑4, 29, 35, 44, 51 ‑2, 54, 60, 70 ‑1, 89, 96 ‑7, 122, 148, 163, 168, 173, 193, 197 ‑8, 209, 231 ‑2, 242, 262, meio ambiente: 21, 25, 49, 54, 57, 73 ‑4, 91, 124, 165, 187, 210 ‑1, 233, 235, 261, g r a n d e s i d e i a s p e r i g o s a s 71 ‑2, 106, 109, 147 ‑51, 153, 159 ‑63, 165 ‑9, 172 ‑3, 183, 186 ‑7, 192 ‑3, 197, ausência de propósito do: 72, 235 ‑6 compreensão do: 147 ‑51, 159, 161 ‑3, teoria de cordas: 148, 151 ‑3, 157 ‑9, 161 selecção natural: 42, 56 ‑7, 69, 97, 131 ‑2, 157 ‑60, 211, 214, 235, 243, 245, 261 ‑2,

Source: http://www.tintadachina.pt/pdfs/3d86b839bf17e8e1b774dd8bd23bd8e2-inside.pdf?tcsid=5781466d8cc28a3f0e9a22e445bb3ed4

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FIGURE 3-24 Approach to hyperkalemia: hyperkalemiawith reduced glomerular filtration rate(GFR). Normokalemia can be maintained in patients who consume normal quantitiesof potassium until GFR decreases to lessthan 10 mL/min; however, diminished GFRpredisposes patients to hyperkalemia fromexcessive exogenous or endogenous potassi-um loads. Hidden sources of endogenous andexogenous potassi

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HUMIDITY-REFERENCE CELLS REFZ-M20-xxRH Characteristic features  Reference cells for capacitive humidity  High accuracy due to salt of Quality level “Analytical reagent“  Different models with salt filling of 11% rH  High quality diaphragm for contact less checking of measuring probes  Transparent housing for visual inspection of saturat

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